Masmorras & Drinkeiros
- IA Santos

- 23 de fev.
- 2 min de leitura
Minha paixão pelo RPG e pelos anos 90 me trouxe até aqui
Mas antes do RPG tiveram os bonecos. Eu adorava brincar de boneco. Hoje a galera chama de action figure, mas para mim sempre foi e sempre será simplesmente “bonecos”. Meus Comandos em Ação, S.O.S. Comandos e (um pouco mais tarde) Cavaleiros do Zodíaco sempre me ajudaram a contar as histórias épicas criadas no improviso por mim e pelos meus melhores amigos. Por anos deu certo. Até que começamos a sentir falta de uma coisa: Regras!
Quem vai ganhar a guerra? Quem é o Cavaleiro mais forte? Quem vai ficar com a Mulher-Gato? Regras teriam evitado horas de discussão.

E elas estavam ali o tempo todo, em outros jogos: Banco Imobiliário, War, Imagem em Ação. Todos tinham regras para definir quem ganharia ou perderia e as consequências de cada ação. Por que só as nossas histórias não tinham regras?
Claro que não pensamos em nada disso! Éramos crianças no início da adolescência. Que, aliás, aproximava-se perigosamente, ameaçando nossa brincadeira preferida. Afinal, “brincar de boneco era coisa de criança” e nenhuma criança no início da adolescência curte ser chamada de criança.
Porém, nesta mesma época o RPG surgiu na minha vida resolvendo todos os meus problemas!
RPG era como brincar de boneco. Mas sem bonecos (que eram coisas de criança). E tinha as benditas regras que evitavam as horas de discussão e ajudavam a definir os rumos das histórias de forma justa e imprevisível. E os adolescentes jogavam. Era perfeito!
Eu devia ter uns doze anos quando comecei a jogar RPG. Nunca mais parei. Foram-se décadas explorando masmorras, jogando dados e vivenciando histórias que pertenciam apenas à imaginação compartilhada daquela galera em volta da mesa, imersas “naquele jogo que não acaba nunca”, como meu coroa costumava dizer.
A paixão pelo RPG e boardgames me fez criar o Dados de Nimb - o primeiro e único bar nerd da Região dos Lagos (pelo menos até aquele momento). Um feito que até hoje, oito anos depois ainda me enche de orgulho.
O Dados nasceu da nostalgia. Da vontade de revisitar os anos analógicos, onde colecionávamos brindes de salgadinho e completávamos álbuns de figurinha; quando passávamos as tardes jogando ou lendo revistas em quadrinhos compradas em bancas de jornal. Quando assistíamos filmes pegos na locadora e rebobinávamos a fita para não pagar multa.
Masmorras & Drinkeiros - o boardgame oficial do Dados - é um pouco de tudo isso.
São bolachas colecionáveis para quem adorava colecionar figurinhas ou tazos; são pontos para trocar por prêmios, para quem nunca conseguiu completar a figura da bicicleta naqueles álbuns horríveis. E acima de tudo, é uma homenagem carinhosa para todos que, assim como nós, curtem a tecnologia, mas também adoram entretenimento offline.
Mas afinal, Masmorras & Drinkeiros também é um RPG?
Eu diria que se trata de um jogo de Dados e Personagens. Interprete como quiser.
IA Santos
(Fingindo costume, mas feliz pra car@lh@)


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